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Polymarket: quando votar passa a ter preço

Polymarket: quando votar passa a ter preço

Polymarket foi bloqueada pelo SRIJ durante as presidenciais de 2026.

Descobre o que aconteceu, os milhões em jogo e o impacto para os apostadores.

por Paulo S   |   comentários 0
quarta, janeiro 28 2026

As eleições presidenciais portuguesas de janeiro de 2026 estão a dar que falar, mas não só nas urnas. Nos mercados de apostas online, ocorreu uma situação inesperada: a plataforma Polymarket, onde era possível apostar em resultados eleitorais com criptomoedas, acabou por ser bloqueada em Portugal. O motivo foi simples: o regulador considerou a atividade ilegal e ordenou que as operadoras nacionais cortassem o acesso ao site.

Este artigo explica tudo: como funciona a Polymarket, porque foi bloqueado, o que aconteceu com os apostadores e o contexto global deste tipo de plataformas.

Neste artigo, vamos abordar os seguintes tópicos:


O que é a Polymarket?

A Polymarket é uma plataforma de mercados de previsão com criptomoedas. Funciona como uma bolsa de apostas: tu compras “ações” de um resultado específico. Por exemplo, podias comprar ações de que um destes candidatos ganharia a eleição portuguesa. Se o evento acontecesse, a tua aposta dava lucro; se não, perdias a aposta.

A grande diferença, em relação às casas de apostas tradicionais, é que tudo se faz com criptomoedas e as transações acontecem diretamente entre os utilizadores. Não existe depósito em euros, como nas casas licenciadas em Portugal.

Este tipo de mercado é frequentemente usado por traders e investidores em cripto para “apostar” em acontecimentos reais, desde eleições a decisões políticas ou eventos económicos.

A Polymarket não é a única plataforma de previsões a operar sem licença em Portugal. A sua principal concorrente, a Kalshi, também registou mais de um milhão de euros em apostas sobre as presidenciais portuguesas.

Polymarket - Presidenciais Portugal

Cronologia do bloqueio

  • 15 de janeiro – Surgem os primeiros mercados de previsão sobre os candidatos. Apostadores começam a movimentar dinheiro.
  • 16 e 17 de janeiro – Volume de apostas sobe rapidamente. Mais de 4 milhões de euros circulam em apenas dois dias.
  • 18 de janeiro – Fecho das urnas. As probabilidades mudam constantemente, refletindo informações e rumores sobre os resultados. Alguns movimentos levantam suspeitas de que alguns apostadores tinham informações privilegiadas.
  • 19 de janeiro – O SRIJ envia notificação formal à Polymarket, exigindo encerramento da atividade em Portugal.
  • 20 de janeiro – A Polymarket não fecha. O regulador ordena às operadoras que bloqueiem o site.
  • 21 de janeiro – A Polymarket deixa de ser acessível através das operadoras MEO, Vodafone e NOS.

Apostar com criptomoedas em Portugal: Guia Completo

Motivos do bloqueio

O regulador português para jogos online, o Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ), decidiu que a Polymarket estava a operar ilegalmente no país por dois motivos principais:

 Não tem licença para operar em Portugal

❌ A lei portuguesa proíbe apostas sobre eventos políticos como eleições, quer sejam nacionais quer internacionais, à semelhança do que acontece no desporto ou corridas de cavalos

Perante isto, o regulador notificou a plataforma a encerrar atividades em Portugal e deu um prazo de 48 horas para o fazer. Após o prazo expirar, como o site continuava acessível, o regulador pediu às operadoras de telecomunicações (MEO, Vodafone e NOS) que bloqueassem o acesso ao domínio da Polymarket em Portugal.

Palácio de Belém

Quanto dinheiro foi movimentado?

Os números disponíveis mostram que a Polymarket estava a ser usado intensamente para apostar na eleição portuguesa:

  • Mais de €4 milhões foram apostados apenas nas horas antes de se conhecerem os resultados das presidenciais.
  • Segundo algumas fontes, o volume total apostado em mercados relacionados com a eleição pode ter ultrapassado €100 milhões em termos globais no site.

Estes valores incluem apostas sobre quem seria o vencedor, quem teria mais votos na primeira volta, percentagens específicas de votos ou até dados comparativos entre candidatos.

Evolução do mercado

Com base nos dados públicos do próprio mercado (agregados por agregadores e notícias):

  •  Antes do início das votações: Seguro ~60%, Ventura ~30%.
  •  18:00 (1h antes de fechar as urnas): Seguro sobe para ~95%.
  •  Perto da divulgação de projeções: Seguro chega a ~100% de probabilidade.

Esta variação mostra movimentos rápidos e fortes nas probabilidades do mercado em poucas horas - isto é um reflexo do dinamismo dos mercados de previsão e da entrada de grandes volumes, pouco antes dos resultados.

Presidenciais na Polymarket - Volume

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O que aconteceu no dia das eleições?

Na véspera e no próprio dia das eleições, os mercados de previsão na Polymarket ficaram particularmente movimentados. Nas horas antes de serem oficialmente conhecidos os resultados, foi registado um grande aumento de apostas, o que fez com que alguns mercados tivessem alterações bruscas nas probabilidades de vitória dos candidatos.

Este tipo de movimento rápido de probabilidades pode acontecer quando há muita atividade de traders a reagir a informação publicada ou a rumores. A intensidade deste fluxo levantou preocupação do regulador em relação a possíveis comportamentos especulativos ou até a uso de informação que ainda não era pública.

Dia das eleições na Polymarket

O que acontece aos apostadores?

Se apostaste na Polymarket em Portugal, tens de estar ciente:

  • O SRIJ não garante proteção dos fundos, porque a plataforma não tem licença.
  • Recuperar dinheiro ou ganhos pode ser impossível.
  • O bloqueio impede apenas o acesso, não garante devolução do que investiste.

A lição é clara: apostar em plataformas não licenciadas envolve sempre riscos financeiros e legais.

Sabes quais são as casas licencidas em Portugal?

Como reagiram os utilizadores?

Nas redes e fóruns online, muitos apostadores expressaram frustração. Algumas ideias que se repetiram foram:

  • Que o bloqueio foi “surpreendente” e “rápido”.
  • Que existem formas técnicas de contornar o bloqueio (como DNS ou VPN), mas que isso não resolve o problema legal nem garante a segurança dos fundos.
  • Que o modelo de mercado descentralizado e baseado em cripto confundiu alguns utilizadores, levando-os a pensar que não haveria regulação.

Estas reações são úteis para perceber o sentimento de quem estava a usar a plataforma, mesmo que não representem opiniões oficiais ou conselhos legais.

Contexto internacional

Portugal não é o único país a agir. França, Itália, Bélgica e outros já tinham bloqueado ou restringido a Polymarket por motivos legais.

Acesso limitado: em França, a Polymarket passou a funcionar apenas em modo ‘ver’, impedindo novas apostas. Nos EUA, a CFTC multou a plataforma em 1,4 milhões de dólares em 2022 e obrigou ao bloqueio do serviço para residentes norte-americanos. Outros países, como Reino Unido, Alemanha, Polónia, Taiwan, Tailândia e Austrália, também aplicaram restrições geográficas. A própria Polymarket não permite que utilizadores destas regiões façam apostas.

O caso português mostra que plataformas de apostas políticas baseadas em blockchain são um desafio para reguladores, pois oferecem liberdade tecnológica mas operam fora da lei.

O que pode acontecer no futuro?

Este caso da Polymarket mostra um ponto de viragem para apostas políticas online:

- Reguladores podem reforçar as regras e fiscalizar mais plataformas que oferecem mercados de previsão em eventos reais.

- Plataformas baseadas em cripto terão de enfrentar exigências legais mais rigorosas se quiserem operar em países com regras estritas.

- A discussão sobre se mercados de previsão são “apostas” ou “instrumentos financeiros” pode ganhar mais foco, levando a novas leis ou adaptações da legislação existente.

Dicas para quem quer apostar online

Se queres apostar online, especialmente em mercados políticos ou novas plataformas:

  1. Confirma a licença – só apostas em sites regulados em Portugal são protegidas.
  2. Evita apostas políticas não licenciadas – são ilegais e arriscadas.
  3. Controla o risco – nunca apostes dinheiro que não podes perder.
  4. Procura transparência – sites confiáveis explicam regras de depósitos e retiradas.
  5. Mantém-te informado – acompanha notícias e decisões do regulador, para não ser apanhado de surpresa.

Conclusão

O bloqueio da Polymarket mostra que inovação tecnológica e legislação nem sempre andam de mãos dadas. O bloqueio foi uma resposta direta à forma como a plataforma operava: sem licença, com apostas políticas que a lei portuguesa não permite, e com volumes de dinheiro significativos em jogo.

Para ti, isto serve como um alerta: confirma sempre a licença e o enquadramento legal de qualquer plataforma de apostas antes de usares. A inovação tecnológica, como o uso de criptomoedas e blockchain, não dispensa o cumprimento das leis nacionais.

Este caso vai continuar a ser debatido, não só em Portugal, mas em outros países onde plataformas de previsão desafiam os limites das leis tradicionais de jogo.

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Perguntas frequentes
A Polymarket é uma plataforma de previsões e apostas online baseada em criptomoedas. Permite aos utilizadores apostar em eventos do mundo real, como eleições ou decisões políticas, comprando “ações” de um determinado resultado.
O regulador português, o SRIJ, considerou que a plataforma operava ilegalmente, sem licença para apostas em Portugal, e que apostas políticas não são permitidas no país. Por isso, ordenou o bloqueio do acesso às operadoras nacionais.
Sim. França limitou o acesso ao modo “ver” (view-only), os EUA obrigaram ao bloqueio para residentes após multa da CFTC, e Reino Unido, Alemanha, Polónia, Taiwan, Tailândia e Austrália aplicaram restrições geográficas.
Mesmo que não sejam licenciadas em Portugal, existem plataformas internacionais de previsões, como a Kalshi, que movimentaram milhões em apostas nas presidenciais portuguesas. Mas atenção: sem licença nacional, os riscos legais e de perda de fundos são elevados.
Betano, ESC Online e Solverde.pt estão sempre entre as nossas sugestões.
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